Como no futebol, em que todo torcedor é um “técnico”, já há uma tradição brasileira de palpitar sobre questões de linguagem. Aldo Bizzocchi
Dizem que foi o saudoso narrador esportivo Geraldo José de Almeida quem disse, lá pelos idos de 1969, que o Brasil tinha 90 milhões de técnicos de futebol. Na verdade, a constatação de que todo brasileiro – ou quase todo – gosta de dar palpites sobre a seleção deve ser bem anterior ao Geraldo, mas parece que foi ele quem popularizou a expressão, talvez até parodiando a famosa marchinha de Miguel Gustavo, Pra Frente, Brasil, que exortava em tom ufanista (eram os tempos da ditadura militar): “90 milhões em ação, pra frente, Brasil do meu coração”. Desde então, essa frase vem tentando acompanhar nossa explosão demográfica e, atualmente, os cronistas esportivos não se cansam de repetir o clichê de que o Brasil tem 180 milhões de técnicos. Afinal, qualquer torcedor sabe escalar a seleção melhor do que o Dunga. Qualquer tropeço da esquadra nacional é motivo de críticas acerbas e inflamadas em todas as esquinas e mesas de bar deste país. E todos – menos o técnico – sabem diagnosticar onde está o erro.
Pois cheguei à conclusão de que o Brasil também tem 180 milhões de lingüistas. Isso mesmo! Somos 180 milhões de cidadãos que adoram palpitar sobre as línguas em geral e sobre a língua portuguesa em particular. E fazemos isso com a sem-cerimônia e desenvoltura de grandes experts (ou espertos) no assunto.
Quando se trata da língua, não é raro ouvirmos os maiores disparates, eivados de preconceito e miopia intelectual, proferidos amiúde em tom solene e professoral por pessoas que às vezes mal têm o ensino fundamental completo. Frases chauvinistas como “o português é a mais bela e perfeita língua do mundo”, “o francês é o idioma da lógica e do equilíbrio” ou “só é possível filosofar em alemão” já se tornaram lugar-comum em discussões do gênero. Mas críticas impertinentes e infundadas como “o inglês é uma língua absurda, que põe o adjetivo antes do substantivo” ou “só uns estúpidos como os alemães podem construir palavras tão quilométricas” também pululam nas rodas de bate-papo e revivem certos mitos que remontam ao século 19, quando romanticamente se acreditava que as línguas eram organismos vivos, inteligentes e, por isso, dotados de “personalidade”. Daí que o italiano é uma língua sensual, o francês é cartesiano, o alemão é militarista, o inglês é cerimonioso, o tupi é indolente…
Quando o assunto é etimologia, então, nem se fala: todo mundo sabe exatamente de onde vieram as palavras. Corre uma lenda, por exemplo, de que coitado deriva de coito, ato sexual, o que dá um ar malicioso – e por isso mesmo atraente – a esse epíteto. Na verdade, coitado vem do português medieval coita, “sofrimento”, por sua vez originário do latim vulgar cocta. Trata-se de um caso, como muitos, de etimologia popular, em que o aspecto sugestivo da palavra parece inspirar as pessoas a descobrirem certos estratos geológicos de sua história que jamais existiram. E, por vezes, o achismo lingüístico é tão mais sedutor que a verdade científica que, diante de uma explicação convincente mas fantasiosa, a dura realidade fica meio sem graça. Falsas etimologias existem, que eu saiba, desde que o homem fala. Platão, no Crátilo, afirmou que os heróis têm esse nome por serem fruto do amor (Eros) entre um deus e um ser mortal. Santo Isidoro de Sevilha, o “patrono da etimologia”, sustentava, dentre outras estultices, que femina (“mulher” em latim) proviria de fide minus, “menos fé”, e que mulier (também “mulher” em latim) viria de molior, “a mais mole”. Mas, se naquela época tais absurdos eram toleráveis, hoje, com os enormes avanços da pesquisa em lingüística, é deplorável que tais mitos ainda façam adeptos. O pior de tudo é que cidadãos leigos não se intimidam em debater sobre questões de língua com especialistas. Embora ninguém que não seja médico ou advogado se atreva a discutir medicina com um médico ou leis com um jurista, qualquer zé-dos-anzóis se sente à vontade para polemizar com um lingüista sobre a origem das línguas, o melhor sistema ortográfico, a superioridade de um idioma sobre outro… Alguns chegam a arvorar-se em legisladores da língua, sem ter mandato para tal (será que alguém tem esse mandato?). É que existe a crença mais ou menos generalizada de que medicina e direito são matérias de alta especialidade, ao passo que a língua é assunto de domínio público. Afinal, nem todos clinicam ou advogam, mas todos falam. E, portanto, qualquer um sabe “ensinar o padre-nosso ao vigário”. Já ouvi mais de uma vez a afirmação de que o português se originou do grego – ou, pior ainda, do celta ou do fenício –, que por sua vez descende do hindu (parece que hinduísmo agora é língua!). Trata-se de uma tremenda mixórdia de informações desencontradas, entreouvidas aqui e ali, colhidas às vezes de fonte não confiável, ou distorcidas pelo “ruído na comunicação”. Além de tudo, a palavra de autores aventureiros, bem como obras de certos gramáticos e filólogos do passado, já superados, ainda ecoam como factóides na cabeça dos leigos, que evidentemente não têm senso crítico para discernir o que é fato e o que é lenda, o que é informação científica atual e o que é mera especulação filosófica ultrapassada.
Some-se a isso o desprestígio em nossa sociedade das profissões ligadas às ciências humanas (erroneamente confundidas com as “humanidades”) e à educação para entendermos porque muitos até duvidam de que a língua possa ser objeto de estudo científico.
Publicado em Língua Portuguesa, ano 2, n.º 22, agosto de 2007
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Monday, September 7, 2009
Friday, September 4, 2009
Thursday, July 16, 2009
Link para atividade de espanhol. (escuela)
Olá, pessoal. Este é o link que falei para vocês em sala. Espero que vocês gostem e se divirtam.
http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/ildo/atividades_espanhol/laescuelacapa.html
¡Besitos!,
Tia Tálita.
http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/ildo/atividades_espanhol/laescuelacapa.html
¡Besitos!,
Tia Tálita.
Ninguém. By: Luis Vilela
A rua estava fria. Era sábado ao anoitecer, mas eu estava chegando e não saindo. Passei no bar e comprei um maço de cigarros. Vinte cigarros. Eram os vinte amigos que iam passar a noite comigo.
A porta se fechou como uma despedida para a rua, mas a porta sempre se fechava assim. Ela se fechou com um som abafado e rouco. Mas era sempre assim que ela se fechava. Um som que parecia o adeus de um condenado. Mas a porta simplesmente se fechara e ela sempre se fechara assim. Todos os dias ela se fechava assim.
Acender o fogo, esquentar o arroz, fritar um ovo. A gordura estala e espirra ferindo minhas mãos. A comida estava boa. Estava realmente boa, embora tenha ficado quase a metade no prato. Havia uma casquinha de ovo e pensei em pedir-me desculpas por isso. Sorri com esse pensamento. Acho que sorri. Devo ter sorrido. Era só uma casquinha.
Busquei no silêncio da copa algum inseto mas eles já haviam todos adormecido para a manhã de domingo. Então eu falei em voz alta. Precisava ouvir alguma coisa e falei em voz alta. Foi só uma frase banal. Se houvesse alguém perto diria que eu estava ficando doido. Eu sorriria. Mas não havia ninguém. Eu podia dizer o que quisesse. Não havia ninguém para me ouvir. Eu podia rolar no chão, ficar nu, arrancar os cabelos, gemer, chorar, soluçar, perder a fala, não havia ninguém para me ver. Ninguém para me ouvir. Não havia ninguém. Eu podia até morrer.
De manhã o padeiro me perguntou se estava tudo bom. Eu sorri e disse que estava. Na rua o vizinho me perguntou se estava tudo certo. Eu disse que sim e sorri. Também meu patrão me perguntou e eu sorrindo disse que sim. Veio a tarde e meu primo me perguntou se estava tudo em paz e eu sorri dizendo que estava. Depois uma conhecida me perguntou se estava tudo azul e eu sorri e disse que sim, estava, tudo azul.
Wednesday, April 8, 2009
Monday, March 23, 2009
Machu Picchu: una expedición al pasado.

Machu Picchu me encanta, por esto voy dejar de hablar sobre mi país por algunas líneas...
En Perú junto a los Andes podemos visitar una de las siete maravillas del mundo actual: i Machu Picchu!
Las antiguas construcciones descubiertas por Hiran Bingham, em 1911, son llenas de misterios y mitos.
Las historias son muchas poero lo que de hecho sabemos es que: Machu Picchu fue edificada por el Rey Inca Pachacuti entre los anõs de 1460 y 1470 y fue un palacio de vacaciones para la familia del rey.
Actualmente personas de todo el mundo van a visitar lo que fue el corazón de la civilización Inca.
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